O transporte pneumático move sólidos a granel dentro de tubulações, usando ar ou outro gás. Pode operar em fase diluída, com alta velocidade e baixa concentração. Ou em fase densa, com baixa velocidade e alta concentração de material. Sopradores, compressores, válvulas rotativas, vasos pressurizados e filtros compõem o sistema.
É um sistema sensível. Pequenas mudanças no material, na umidade do ar ou no traçado da linha alteram o desempenho. Por isso, as disputas costumam girar em torno de uma pergunta: o problema está no projeto, no material ou na operação? Na indústria de São Paulo, esses sistemas são comuns em plásticos, alimentos, cimento, cal e química. Em cada setor, o material impõe limites próprios de velocidade e de pressão.
Fernando Sumitani é advogado e engenheiro mecânico de produção. Por mais de 20 anos, desenvolveu, coordenou e implantou sistemas de transporte pneumático e geriu contratos de fornecimento. Em São Paulo, atua como assistente técnico em perícias e na impugnação técnica de laudos, na qualidade de engenheiro e com ART, e, como advogado, na análise contratual. Essa experiência permite discutir cálculos e premissas com o perito engenheiro mecânico nomeado pelo juízo.
O mesmo sintoma, como o entupimento, pode ter causas muito diferentes. A perícia precisa identificar a causa predominante.
| Problema | Causas possíveis | O que a perícia verifica |
|---|---|---|
| Entupimento frequente da linha | Velocidade do ar abaixo da mínima de transporte, alimentação excessiva, material úmido ou coesivo, curvas mal posicionadas | Cálculo das velocidades, relação de carga sólido-ar, traçado da linha e umidade do material |
| Capacidade abaixo da contratada | Soprador ou compressor subdimensionado, vazamento de ar na válvula rotativa, perda de carga maior que a prevista | Curva do soprador, medições de pressão e vazão, folgas e estado da válvula rotativa |
| Desgaste e furo em curvas | Material abrasivo, velocidade excessiva, curvas de raio curto, material da tubulação inadequado | Velocidades de projeto, especificação das curvas e taxa de desgaste observada |
| Degradação do produto | Velocidade alta, impactos em curvas, transporte em fase diluída para produto frágil | Granulometria antes e depois do transporte e adequação do regime escolhido |
| Formação de crostas e aglomerados | Ar de transporte úmido, condensação na linha, material higroscópico, temperatura do ar fora da faixa | Ponto de orvalho do ar, sistema de secagem e propriedades do material |
| Emissão de pó no ponto de recebimento | Filtro de despoeiramento subdimensionado, mangas danificadas, ausência de alívio de pressão no silo | Relação ar-pano, perda de carga do filtro e projeto do silo receptor |
| Risco de explosão de poeira | Pó combustível, acúmulo de cargas eletrostáticas, aterramento ausente, falta de proteção contra explosão | Aterramento, dispositivos de alívio ou supressão e avaliação das áreas classificadas |
Em transporte pneumático, as garantias dependem do material e da distância. Pequenas alterações no traçado mudam o desempenho.
Situação hipotética. Uma fábrica instala uma linha de transporte pneumático em fase densa para um pó mineral. Nos primeiros meses, o sistema opera bem. Depois, passa a entupir várias vezes por turno. A fábrica cobra o fornecedor com base na garantia. O fornecedor alega que o material mudou.
Nesse cenário, a perícia compararia as propriedades do material atual com as do material de projeto. Também verificaria a umidade do ar de transporte e eventuais alterações na linha. Se o material mudou, seria preciso saber se a mudança estava dentro da faixa contratada. A conclusão dependeria dos dados e não pode ser presumida.
O contrato de transporte pneumático precisa descrever bem o material e o traçado. Sem isso, a garantia de capacidade perde referência. Alterações feitas pelo comprador após a entrega, como novas curvas ou extensões, também afetam a responsabilidade. A perícia deve identificar cada mudança e seu efeito sobre o desempenho.
Quando o entupimento paralisa a produção, surgem pedidos de lucros cessantes. Para isso, é preciso demonstrar o nexo entre a falha e a perda alegada. A prova técnica e a prova contábil caminham juntas. Cláusulas de limitação de responsabilidade e de exclusão de danos indiretos também precisam ser examinadas.
Há ainda aspectos de segurança. Vasos pressurizados de transporte podem se enquadrar na NR-13, conforme suas características. Válvulas, sopradores e demais máquinas associadas estão sujeitos à NR-12. Esses pontos ganham relevância quando a disputa envolve acidente.
Agende uma conversa inicial para entendermos a situação e indicarmos o melhor caminho.