Transportadores parecem equipamentos simples, mas concentram boa parte das paradas de uma planta. Uma correia que desalinha, uma rosca que embucha ou um elevador de canecas que perde capacidade travam a linha inteira. Quando isso acontece logo após a partida, surge a pergunta central: o problema é de projeto, de fabricação, de montagem ou de operação?
Atuamos em disputas que envolvem esses sistemas, unindo a leitura técnica do equipamento à análise do contrato. Fernando Sumitani é advogado e engenheiro mecânico de produção, com mais de 20 anos desenvolvendo, coordenando e implantando sistemas de manuseio de sólidos. Essa experiência permite acompanhar a perícia como assistente técnico da parte e dialogar com o perito engenheiro mecânico na mesma linguagem.
Atendemos empresas compradoras, fornecedores, integradores, seguradoras e advogados em São Paulo e em outras localidades. Os casos mais comuns envolvem perícia em correia transportadora, falha em transportador industrial ou acidente com o equipamento.
Cada sintoma tem mais de uma causa possível, e a perícia existe justamente para separar uma da outra.
| Problema | Causas possíveis | O que a perícia verifica |
|---|---|---|
| Desalinhamento e desgaste prematuro da correia | Estrutura fora de esquadro, roletes travados, carregamento descentralizado, tensionamento inadequado. | Alinhamento da estrutura, condição dos roletes, ponto de carga, cálculo de tensões e especificação da correia. |
| Capacidade abaixo da contratada | Velocidade, largura ou ângulo de acomodação subdimensionados; densidade do material diferente da informada. | Dados de processo do contrato, memorial de cálculo, medição de vazão e propriedades reais do material. |
| Embuchamento e travamento de roscas | Passo e grau de enchimento inadequados, material coesivo ou úmido, mancais intermediários mal posicionados. | Características do material, folha de dados, potência instalada e condições de alimentação. |
| Perda de capacidade ou retorno de material em elevadores de canecas | Velocidade incompatível com o tipo de descarga, canecas mal especificadas, bica de descarga mal desenhada. | Velocidade da correia ou corrente, geometria da cabeça, tipo de caneca e enchimento real. |
| Quebra de corrente, eixos ou acionamentos em arrastadores | Subdimensionamento, sobrecarga, falta de lubrificação, abrasão intensa ou defeito de material. | Cálculo de esforços, fator de serviço, análise da fratura e histórico de manutenção. |
| Derramamento, emissão de pó e acúmulo de material | Chutes de transferência mal projetados, vedações ausentes, raspadores ineficientes. | Projeto dos chutes, vedações laterais, sistema de limpeza da correia e exaustão. |
| Acidente envolvendo o transportador | Proteções ausentes, dispositivos de parada inoperantes, intervenção sem bloqueio de energia. | Projeto das proteções, cabos de emergência, procedimentos de bloqueio e requisitos da NR-12. |
Uma garantia só pode ser cobrada se estiver bem definida, e quase sempre depende das premissas do material.
Imagine uma indústria que contrata um transportador de correia para 300 t/h de minério. Após a partida, a linha opera com derramamento e não passa de 230 t/h sem transbordar. O fornecedor afirma que o material entregue é mais úmido e coesivo que o informado na proposta.
Nesse cenário hipotético, a análise começaria pela folha de dados anexada ao contrato. Depois, compararia a seção carregada calculada com a seção real, considerando ângulo de acomodação e velocidade. Também examinaria o chute de alimentação. A conclusão poderia apontar falha de projeto, divergência do material ou ambas, com efeitos jurídicos distintos.
Na maioria das disputas, a questão técnica decide a jurídica. Saber se o material estava dentro da especificação define se houve inadimplemento do fornecedor ou mudança de premissa pelo comprador. Do mesmo modo, a causa de uma quebra separa defeito de fabricação de falha de manutenção.
Por isso, analisamos em conjunto cláusulas de garantia, limitação de responsabilidade, multas por desempenho e prazos de reclamação. Em acidentes, a discussão envolve também a NR-12 e a responsabilidade de fabricante, integrador e usuário. Atuamos em São Paulo e em outras localidades, na fase pré-processual, em ações judiciais e em arbitragens.
Também atuamos na impugnação de laudo pericial quando o trabalho do perito deixa de considerar dados relevantes. Exemplos são um ensaio de material feito sem amostragem representativa ou um cálculo de capacidade com premissas trocadas. Nesses casos, o parecer do assistente técnico aponta o erro de método de forma objetiva.
Agende uma conversa inicial para entendermos a situação e indicarmos o melhor caminho.