SUMITANIADVOCACIA
SISTEMAS INDUSTRIAIS

Assistência técnica em perícias e disputas em estações de tratamento de água e efluentes

ETAs e ETEs industriais analisadas sob três ângulos: o projeto, o contrato e a exigência ambiental.

Fernando SumitaniAdvogado · OAB/SP 512.823Engenheiro mecânico · CREA-SP 5061045282

Uma estação de tratamento de efluentes que não atinge os parâmetros de lançamento expõe a empresa a dois riscos ao mesmo tempo. De um lado, autuação ambiental e restrições à operação. De outro, uma disputa com o fornecedor sobre quem responde pela falha da ETE.

Fernando Sumitani é advogado e engenheiro mecânico de produção, com mais de 20 anos desenvolvendo, coordenando e implantando sistemas industriais, incluindo ETAs e ETEs. Conforme o caso, atua como assistente técnico da parte, na qualidade de engenheiro e com ART, ou na defesa jurídica de autos de infração da CETESB. Essa visão conjunta evita que a estratégia ambiental contradiga a estratégia contratual. Em São Paulo, onde a fiscalização ambiental é intensa, essa coerência entre as frentes faz diferença prática.

Atendemos indústrias, fornecedores de sistemas de tratamento, seguradoras e advogados. Os casos típicos envolvem perícia em estação de tratamento de efluentes, ETE industrial que não atinge parâmetros ou falha em ETA.

Falhas frequentes em ETAs e ETEs e o que a perícia verifica

Antes de discutir o desempenho da estação, é preciso saber se ela recebe o efluente para o qual foi projetada.

ProblemaCausas possíveisO que a perícia verifica
ETE não atinge os parâmetros de lançamentoCarga orgânica ou vazão acima da premissa, tempo de detenção insuficiente, etapas subdimensionadas.Caracterização real do efluente, memorial de cálculo, balanço de massa e dados de monitoramento.
Instabilidade do processo biológicoChoques de carga, substâncias inibidoras, aeração insuficiente, deficiência de nutrientes.Histórico de carga, oxigênio dissolvido, capacidade dos aeradores e registros operacionais.
Arraste de sólidos no decantador ou flotadorTaxa de aplicação superficial elevada, dosagem química inadequada, problemas de sedimentabilidade do lodo.Dimensionamento hidráulico, dosagem de coagulantes e polímeros, características do lodo.
Água tratada fora da qualidade na ETAVariação da água bruta, falhas de filtração ou de dosagem química, retrolavagem deficiente.Qualidade da água bruta, ensaios de tratabilidade, operação dos filtros e dos dosadores.
Falhas mecânicas em bombas, aeradores e dosadoresEspecificação inadequada, corrosão, materiais incompatíveis com o efluente.Folhas de dados, compatibilidade de materiais, histórico de manutenção e análise de falha.
Desaguamento de lodo abaixo do previstoEquipamento subdimensionado, condicionamento químico inadequado, lodo diferente do projetado.Teor de sólidos obtido, ensaios do lodo, dosagem de polímero e capacidade do equipamento.
Transbordamento ou lançamento sem tratamentoFalha no controle de nível, bypass, ausência de redundância em equipamentos críticos.Automação, intertravamentos, registros de eventos e projeto hidráulico da estação.

O que costuma ser garantido em contratos de ETA e ETE

A garantia de desempenho de uma estação depende sempre das premissas de entrada fixadas no contrato.

Como funciona a perícia neste sistema

  1. Premissa contra realidade. Confrontamos o efluente de projeto com análises do efluente real, antes de discutir o desempenho da estação.
  2. Vistoria da estação. Verificamos unidades, equipamentos, instrumentação e condição operacional, com registro detalhado.
  3. Revisão do dimensionamento. Avaliamos os tempos de detenção, as taxas de aplicação, a capacidade de aeração e o balanço de massa considerados no projeto e no laudo.
  4. Análise do monitoramento. Avaliamos laudos laboratoriais, cadeia de custódia das amostras e registros operacionais do período.
  5. Quesitos e parecer técnico. Formulamos quesitos e parecer coerentes com a disputa contratual e com a defesa ambiental.

Documentos que fazem diferença

EXEMPLO HIPOTÉTICO
Estação nova que não enquadra o efluente

Imagine uma indústria de alimentos que contrata uma ETE com garantia de qualidade do efluente tratado. Meses após a partida, as análises indicam parâmetros acima do exigido, e a empresa recebe um auto de infração. O fornecedor sustenta que a carga orgânica real supera a informada.

Nessa situação hipotética, a primeira providência seria comparar a caracterização usada no projeto com o efluente efetivamente gerado. Em seguida, a análise verificaria se a estação atende ao menos às premissas originais. Os mesmos dados técnicos alimentariam a defesa perante a CETESB e a discussão contratual, de forma coerente.

Onde a técnica encontra o contrato

No Estado de São Paulo, os padrões de lançamento em corpos d'água decorrem, entre outras normas, do art. 18 do Decreto Estadual 8.468/1976 e da Resolução CONAMA 430/2011. O lançamento em rede pública segue regras próprias. A licença ambiental também pode trazer exigências específicas.

Do lado contratual, examinamos garantia de desempenho, premissas de entrada, testes de aceitação e limitação de responsabilidade. Perante o órgão ambiental, em regra responde quem lança o efluente. Isso não impede discutir, em ação própria, a responsabilidade de quem projetou ou forneceu a estação. Prazos de defesa administrativa e prazos contratuais de reclamação correm de forma independente, e ambos precisam ser controlados.

A perícia em uma estação de tratamento costuma reunir disciplinas diferentes. O perito pode ser engenheiro químico, sanitarista ou ambiental, enquanto bombas, aeradores e desaguadores pedem a leitura de um perito engenheiro mecânico. Acompanhamos esses trabalhos como assistente técnico e examinamos o laudo técnico para verificar se cada conclusão tem base nos dados do processo.

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Perguntas frequentes

A empresa responde pela autuação mesmo se a ETE foi mal projetada?Em regra, perante o órgão ambiental, responde quem opera a fonte e lança o efluente. A eventual falha do fornecedor pode ser discutida separadamente, conforme o contrato. Por isso, os argumentos técnicos da defesa ambiental devem ser compatíveis com essa discussão.
Quais normas definem os padrões de lançamento em São Paulo?No âmbito estadual, o Decreto 8.468/1976 traz padrões para lançamento em corpos d'água e em rede de esgoto. No âmbito federal, aplica-se a Resolução CONAMA 430/2011. A licença de operação pode fixar condições adicionais, que também precisam ser verificadas.
O que acontece se o efluente real for diferente do informado ao fornecedor?Se o contrato vincula a garantia às premissas de entrada, a diferença pode afastar ou reduzir a responsabilidade do fornecedor. A perícia verifica se a estação atenderia às premissas originais. Também avalia se o fornecedor deveria ter identificado a divergência.
Laudos de laboratório podem ser contestados?Podem, especialmente quanto a coleta, preservação, cadeia de custódia e método analítico. Uma amostra pontual pode não representar a operação normal da estação. O assistente técnico examina esses pontos antes de aceitar ou questionar o resultado.
Vale fazer perícia antes de entrar com uma ação?Em muitos casos, sim. A condição da estação muda com ajustes e reformas, e a prova pode se perder. O Código de Processo Civil admite a produção antecipada de prova, útil também para avaliar a viabilidade de um acordo.

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