Uma estação de tratamento de efluentes que não atinge os parâmetros de lançamento expõe a empresa a dois riscos ao mesmo tempo. De um lado, autuação ambiental e restrições à operação. De outro, uma disputa com o fornecedor sobre quem responde pela falha da ETE.
Fernando Sumitani é advogado e engenheiro mecânico de produção, com mais de 20 anos desenvolvendo, coordenando e implantando sistemas industriais, incluindo ETAs e ETEs. Conforme o caso, atua como assistente técnico da parte, na qualidade de engenheiro e com ART, ou na defesa jurídica de autos de infração da CETESB. Essa visão conjunta evita que a estratégia ambiental contradiga a estratégia contratual. Em São Paulo, onde a fiscalização ambiental é intensa, essa coerência entre as frentes faz diferença prática.
Atendemos indústrias, fornecedores de sistemas de tratamento, seguradoras e advogados. Os casos típicos envolvem perícia em estação de tratamento de efluentes, ETE industrial que não atinge parâmetros ou falha em ETA.
Antes de discutir o desempenho da estação, é preciso saber se ela recebe o efluente para o qual foi projetada.
| Problema | Causas possíveis | O que a perícia verifica |
|---|---|---|
| ETE não atinge os parâmetros de lançamento | Carga orgânica ou vazão acima da premissa, tempo de detenção insuficiente, etapas subdimensionadas. | Caracterização real do efluente, memorial de cálculo, balanço de massa e dados de monitoramento. |
| Instabilidade do processo biológico | Choques de carga, substâncias inibidoras, aeração insuficiente, deficiência de nutrientes. | Histórico de carga, oxigênio dissolvido, capacidade dos aeradores e registros operacionais. |
| Arraste de sólidos no decantador ou flotador | Taxa de aplicação superficial elevada, dosagem química inadequada, problemas de sedimentabilidade do lodo. | Dimensionamento hidráulico, dosagem de coagulantes e polímeros, características do lodo. |
| Água tratada fora da qualidade na ETA | Variação da água bruta, falhas de filtração ou de dosagem química, retrolavagem deficiente. | Qualidade da água bruta, ensaios de tratabilidade, operação dos filtros e dos dosadores. |
| Falhas mecânicas em bombas, aeradores e dosadores | Especificação inadequada, corrosão, materiais incompatíveis com o efluente. | Folhas de dados, compatibilidade de materiais, histórico de manutenção e análise de falha. |
| Desaguamento de lodo abaixo do previsto | Equipamento subdimensionado, condicionamento químico inadequado, lodo diferente do projetado. | Teor de sólidos obtido, ensaios do lodo, dosagem de polímero e capacidade do equipamento. |
| Transbordamento ou lançamento sem tratamento | Falha no controle de nível, bypass, ausência de redundância em equipamentos críticos. | Automação, intertravamentos, registros de eventos e projeto hidráulico da estação. |
A garantia de desempenho de uma estação depende sempre das premissas de entrada fixadas no contrato.
Imagine uma indústria de alimentos que contrata uma ETE com garantia de qualidade do efluente tratado. Meses após a partida, as análises indicam parâmetros acima do exigido, e a empresa recebe um auto de infração. O fornecedor sustenta que a carga orgânica real supera a informada.
Nessa situação hipotética, a primeira providência seria comparar a caracterização usada no projeto com o efluente efetivamente gerado. Em seguida, a análise verificaria se a estação atende ao menos às premissas originais. Os mesmos dados técnicos alimentariam a defesa perante a CETESB e a discussão contratual, de forma coerente.
No Estado de São Paulo, os padrões de lançamento em corpos d'água decorrem, entre outras normas, do art. 18 do Decreto Estadual 8.468/1976 e da Resolução CONAMA 430/2011. O lançamento em rede pública segue regras próprias. A licença ambiental também pode trazer exigências específicas.
Do lado contratual, examinamos garantia de desempenho, premissas de entrada, testes de aceitação e limitação de responsabilidade. Perante o órgão ambiental, em regra responde quem lança o efluente. Isso não impede discutir, em ação própria, a responsabilidade de quem projetou ou forneceu a estação. Prazos de defesa administrativa e prazos contratuais de reclamação correm de forma independente, e ambos precisam ser controlados.
A perícia em uma estação de tratamento costuma reunir disciplinas diferentes. O perito pode ser engenheiro químico, sanitarista ou ambiental, enquanto bombas, aeradores e desaguadores pedem a leitura de um perito engenheiro mecânico. Acompanhamos esses trabalhos como assistente técnico e examinamos o laudo técnico para verificar se cada conclusão tem base nos dados do processo.
Agende uma conversa inicial para entendermos a situação e indicarmos o melhor caminho.